Biofilia: fazer para lembrar

(2015)


Máquinas especialmente desenhadas para reconstituir um momento vivido com o falecido a partir da repetição de uma tarefa, ainda que sem utilidade prática.


Penteando antes e depois da filha morrer.

Seguindo na exploração da memória no corpo das pessoas, a ideia desta proposta é elaborar o luto em torno de uma simulação de ação mecânica. O trabalho físico tem um sentido de culto/ritual, de resgate de memórias, e não de uma produção material. A idéia veio primeiro das narrações de amigos do autor - “Lembro do meu avô quando estou...” mais ação. A proposição de fazer surgir a história de um corp em ação vem do conceito de “Suprasensível" e da idéia de auto estímulo presentes nas performances “Réquiem” de Wellington Júnior, e no filme “Spiklenci Slasti” de Jan Svankmajer. Daí a aceitação de que não somente objetos podem servir de relíquia, mas lugares que se visita e ações podem servir de veículo para continuar manifestando afeto por entes queridos mesmo depois da morte.


Da crença popular em fantasmas e da experiência de luto (MASSIMI & BARCKER, 2011), persiste a noção de que o corpo “se vai” mas a relação familiar não morre. Cada enlutado trás marcas diferentes da sua relação com o falecido, que poderiam se manifestar no que aqui resolveu-se chamar de “ações memoráveis”. Dessas ações, que disparam a sensação de conexão com o morto, partiria o briefing para máquinas personalizadas e de uso individual dos enlutados. Como reverência ou apenas por saudades, a mãe poderia “continuar a pentear os cabelos da filha” morta todas as noites haveria uma prótese de filha para tal tarefa.; o pai poderia “continuar ensinando o filho a andar de bicicleta”.