Biofilia: assistir à decomposição do corpo físico de entes queridos em mirascópio

(2015)


Mirascópios criam a ilusão de óptica de que não há obstáculos sólidos separando o observadores de um cadáver.


Essa proposta foi pensada como alternativa ao espaço de cemitério, aquele feito para receber caixões fechados e onde se oculta o processo de decomposição dos cadáveres. O objetivo desse projeto é viabilizar que o visitante consiga assistir ao processo de decomposição sem entrar em contato com os odores e fauna. O corpo do morto “é” apenas uma imagem que se projeta na superfície do dispositivo, mas essa imagem pode ser vista em 360° à uma distância específica do observador.


Trata-se de uma aplicação de princípios da óptica, reflexão de superfícies parabólicas. Dois espelhos côncavos postos face-a-face projetam a imagem do corpo posto na base do espelho inferior como se ele tivesse na superfície.

A ideia é uma tentativa de inverter o fenômeno ocidental de ocultação dos cadáveres, observado e explicado por Freud. Como faz Hirst, em “A Thousand Years” este trabalho põe o observador visualmente frente a um recorte do “ciclo da natureza”, mas polpa-o os outros sentidos (tato e olfato). O cadáver é progressivamente decomposto; e o dispositivo vai revelando a reintegração material do cadáver ao ambiente. É uma construção/acontecimento projetado em direção a legitimação da possibilidade de destino para o corpo humano e ao projeto de “imortalidade (simbólica) natural”.