Biofilia: assistir à decomposição do corpo físico de entes queridos em caixões transparentes

(2015)


Caixões projetados para dar visibilidade ao processo de decomposição de cadáveres. O observador se mantém isolado da fauna e odores característicos. Os mortos podem ser fixados em posturas especiais, como uma cena congelada.




Na Era Vitoriana era comum que as pessoas fotografassem entes queridos em contexto doméstico, vestidos e em postura como se estivessem vivos. Era uma maneira de construir a memória das famílias que tinham que lidar com a alta mortalidade infantil da época.


Imitando esses retratos e dando continuidade as estratégias pela visibilidade do processo de decomposição, essa alternativa mostra o cadáver envolto por uma membrana transparente e fixado em uma “postura memorável”. Este “caixão-retrato” deveria ser instalado em ambientes abertos dando passagem aos agentes decompositores (vermes, bactérias, insetos, fungos e peque- nos animais) somente no interior do cilindro.



A ideia é dar suporte (motivar) a visualização do processo de decomposição a partir da criação uma narrativa colateral de forte apelo emocional, como a recriação duma cena de beijo que possa despertar interesse do observador para além da repulsa ao cadáver. Além disso, espera- se que a escala e altura da escultura e a discrição da estrutura do caixão favoreça ainda mais a identificação com o observador. Assim, esse monumento efêmero ilustraria a reintegração ao meio ambiente como uma possibilidade simbólica de eternização/imortalidade.